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Coisas que eu queria falar sobre o James antes de dizer adeus

A camisa 10 que vai servir de lembrança
Foto: Reprodução/Divulgação/Adidas
Desde que me lembro, chamo o James de Colômbia. Assim mesmo, sempre algo do tipo "olha o gol que o Colômbia fez", "esse Colômbia joga fácil", "pega esse passe do Colômbia". Acho que isso deve ter começado na Copa, quando vencia a preguiça de explicar aos outros quem era o garoto camisa 10 que eu conhecia do Porto. Como joga esse Colômbia, se entregou para o mundo em 2014 e caiu nas graças de geral.

Quando o Brasil eliminou a Colômbia e ele se emocionou em campo, pedi uma pausa para a felicidade verde e amarela e me rendi a uns minutos de emoção pelo camisa 10. Ele era um daqueles jogadores que eu torcia para quem sabe um dia vestir blanco. Foi o que aconteceu.

Em 22 de julho ele chegou ao Santiago Bernabéu. Como a maioria, cumprindo um sonho de vida. Um valor robusto e justo pela "revelação" da Copa das Copas que ainda em 2010, quando defendia o Banfield - e chegou a jogar em Porto Alegre contra o Inter -, era chamado pelo Diário Olé de James Bond e tinha seu estilo de jogo comparado ao de Cristiano Ronaldo.

James com Ancelotti na temporada 2014/2015
Foto: Reprodução/Getty Imagens
Em casa - porque nunca duvidei que o Real Madrid é e sempre será o seu lugar - James foi melhor com Carlo Ancelotti, em sua primeira temporada participou de 46 jogos, deixou 17 gols e 17 assistências. Chegou a ser titular absoluto do time com o italiano, peça fundamental no elenco. Mas com a saída dele, sua participação no grupo diminuiu. Com Benítez e Zidane ele fez 65 jogos, 19 gols e 22 assistências em duas temporadas. Uma média alta, principalmente para quem não era titular absoluto na equipe.  Em 3 de junho de 2017, final da UEFA Champions League entre Juventus e Real Madrid, ficou de fora do banco de reservas, o que confirmou sua saída da equipe merengue.

Nunca é fácil quando você precisa dizer adeus, principalmente quando se trata de uma figura em que você identifica muito de si e nutri um certo carinho por essa sensação. Todas as vezes que vi James Rodríguez com a camisa do Real Madrid, dando passes, fazendo gols ou entrando em campo, enxergava nele um pouco de mim.  Diferente dos outros, com o camisa 10 não era uma questão de inspiração - como é com Ronaldo, Marcelo, Sergio Ramos -, é identificação. Sul-americano, sonhador e madridista, o vi cumprindo seu sonho de vida como se fosse o meu.

James ao lado de Cristiano Ronaldo na temporada 2016/17
Foto: Reprodução/Getty Imagens
Só que em alguns casos, sonhos se cumprem mas chegam ao fim. Pode-se dizer que foram bons enquanto duraram, porque realmente foram, mas para sair de onde você sempre quis estar, é necessário ter mais coragem e força do que você gastou para chegar até ali.

Então, antes que a porta se feche e "o Colômbia" vá pegar um avião para o resto de sua vida, quero dizer que vi nele um pouco de mim, que todas as vezes que vestiu aquela camisa branca, de certa forma me colocou em campo também. Ele vai, e entendo que tenha que ir, fico aqui com a camisa 10 branca que leva teu nome e vai servir como uma lembrança desse período que pode não ter sido eterno - porque nada é - mas foi o suficiente para ser inesquecível.

Opinião de Marcela Natra
Publisher do Meu Madrid 

Coisas que eu queria falar sobre o James antes de dizer adeus Coisas que eu queria falar sobre o James antes de dizer adeus Publicadas por Marcela Natra em junho 13, 2017 Mais 5