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Da cantera merengue para o mundo, a história de Daniel Carvajal

Ele começou na cantera blanca, chamou a atenção e foi comprado pelo Bayer Leverkusen, voltou ao time que o criou para ser o melhor lateral direito do mundo 

Pelo Real Madrid, Carvajal coleciona 7 títulos.
Foto: Reprodução/Getty Imagens
A história de Daniel Carvajal Ramos começa em 11 de janeiro de 1992, em Leganés, na Espanha. Seus pais nunca deixaram que o garoto abrisse mão de boas notas para jogar futebol. Era uma condição para continuar a brincar de bola. "Eu entrava no colégio 9 horas e sempre chegava meia hora antes para poder jogar futebol", contou Dani ao especial "Campo de Estrellas" da Realmadrid TV. "Quem eu sou hoje devo aos meus pais por todos os valores que me ensinaram desde pequeno. Eu me esforçava para chegar em casa para fazer meus deveres de escola, estudar e treinar, dedicava todo meu tempo a isso. Me lembro que uma vez, numa prova de inglês, disse a minha mãe que fiz tudo perfeito e depois vi que tirei 9,75, então comecei a chorar", comentou o lateral sobre a relação escola e futebol.

Quando começou a se destacar e jogar campeonatos, sua mãe o obrigava a jogar com joelheiras: "Chegava sempre em casa com os joelhos machucados de feridas então minha mãe começou colocar joelheiras em mim para me proteger (risos)", contou o jogador.  Competitivo, recebeu uma lição valiosa do pai num dia de fúria quando criança: "Eu era muito competitivo, jogava na defesa e encarava as partidas de forma muito séria. Um dia meus pais ficaram muito bravos comigo, o adversário tinha empatado o jogo e eu fiquei tão bravo com isso que sai do campo e disse ao meu pai que queria ir para a casa, então ele me disse que se eu não queria jogar ia assistir a partida inteira, até o fim. Foi uma das maiores lições da minha vida", explicou Daniel.

Ao lado de Di Stéfano, Carvajal coloca a primeira pedra da nova Ciudad Deportiva do Real Madrid.
Foto: Reprodução/MARCA
Desde os 10 anos ele veste blanco. Cresceu nas categorias de base do clube merengue, onde começou a amadurecer como jogador, aprender táticas e funções. Era 12 de maio de 2004 quando ele apareceu pela primeira vez ao grande publico, foi escolhido para junto a Alfredo Di Stéfano, colocar a primeira pedra da nova Ciudad del Real Madrid. Foi a primeira vez que o mundo conhecia Daniel Carvajal, sem saber que a escolha do canterano para o ato não poderia ter sido mais certa.

Carvajal ao lado de Álvaro Morata e Alex Fernández (irmão de Nacho), em 2010.
Foto: Reprodução/Real Madrid
Em 2010,  subiu para o Real Madrid Castilla, integrando o elenco até 2012. Com seu futebol ofensivo e a capacidade de recompor, foram 68 jogos com 3 gols marcados. O feito chamou a atenção do Bayer Leverkusen que contratou o lateral por 5 anos pagando cerca de 6 milhões de euros. "O mais difícil foi dizer adeus aos meus pais. Decidi viver em Dusseldorf porque já tinha ex-companheiros de time morando ali. Me lembro de uma viajem onde alguns amigos vieram me visitar e a minha casa era muito pequena, mas ficamos todos ali e os levei para comer paella na Alemanha", comentou sobre a mudança.

Carvajal jogou pelo Bayern na temporada 2012-2013
Foto: Reprodução/Imago
Pela Bundesliga, Dani fez 36 jogos e marcou 1 gol. Foi eleito destaque da competição e no mesmo ano, em 2013, sagrou-se campeão europeu juvenil sub-21 com a Seleção Espanhola. Mas, como todo contrato feito com joias da base, o Real Madrid tinha o poder de recompra. Exerceu em 2014, trazendo Carvajal de volta. "No dia da apresentação eu pensava que ia ser mais fácil e que não me emocionaria tanto, mas vi toda a minha família ali. Eles me ajudaram a cumprir um sonho, é clichê dizer mas sou muito feliz, sonhava em jogar aqui", falou para Realmadrid TV sobre a volta a Madri. "A Copa do Rei foi meu primeiro título, lembro perfeitamente da arrancada do Bale. Meu primeiro título e ganhar do Barcelona... não podia querer mais", confessou o defensor que naquele mesmo ano conquistaria também a Champions e o Mundial de Clubes com a equipe comandada por Ancelotti.

Mas o ano de volta para a casa não teve apenas boas notícias, ele perdeu seu avô e precisou enfrentar a situação sem se deixar abater: "Foi um momento muito difícil, meu avô já estava uns meses internado e eu via meu pai sofrer demais. São coisas da vida, ele precisava partir", disse o lateral que dias depois teria que enfrentar o Valencia no Santiago Bernabéu. "O chefe (Ancelotti) me perguntou se eu podia jogar e eu disse que sim, que queria. O minuto de silêncio no Bernabéu foi algo que eu nunca mais vou esquecer", completou.

Zidane consola Carvajal após o lateral deixar o campo na final de Milão.
Foto: Reprodução/Getty Imagens
Com a saída de Ancelotti, Carvajal continuou seu trabalho agora sob o comando de Rafa Benítez. Pela temporada 2015/16 foram 30 jogos, 1 gol marcado e 4 assistências. O bônus final foi a chegada de Zidane, o técnico levou o grupo até a final da Champions League, onde Dani teve que deixar o campo antes do fim da partida em Milão: "Tentei não forçar muito para chegar a final bem, mas quando chegou eu sentia muitas dores a cada passe que dava. Notei isso no minuto 18 e quando chegou o segundo tempo eu pensei que estava sendo egoísta com o time e que Danilo poderia fazer um trabalho melhor. Esse dia foi muito triste para mim porque eu sabia que a Eurocopa estava chegando", contou o jogador que ainda revelou que pediu a Arbeloa para que contasse sobre a lesão aos seus pais.

Isco, Vázquez, Jesé, Nacho, Carvajal, Arbeloa e Yáñez comemoram a Undécima em Milão. Ao lado, Marcelo e Enzo.
Foto: Reprodução/Getty Imagens
Até agora, pelo time principal, somando as temporads, são 152 jogos e 4 gols. É o quarto maior assistente do Real Madrid na atual temporada, superando seu próprio recorde, são 9 passes para gol, atrás apenas de Cristiano (12), James (13) e Toni Kroos (15). A última assistência dada para CR7 na Allianz Arena, igualou Marcelo, também com 9 passes.  Dani vive a sua melhor temporada, titular absoluto do time, ele é peça fundamental no esquema de Zidane e suas atuações cada vez melhores, levam o lateral direito a um patamar superior aos demais.

Seu papel fundamental no Real Madrid, o fez ganhar ainda mais confiança na seleção, ele passou a ser personagem destaque também na roja. Colecionando críticas positivas, é raro ver uma partida onde Dani tenha jogado mal, suas atuações variam de boas, para muito boas e espetaculares, não à toa tem a melhor média do time. 87% de passes certos, 71% de disputa de bola vencidas, 22 dribles, 23 gols evitados, 39 interceptações e 7 chutes defendidos (bloqueados ao gol).

Dani Carvajal é sem sombra de dúvidas um dos laterais mais completos e eficientes do mundo, seus números são superiores aos de Lahm, Daniel Alves, Juanfran, Clyne e Bellerin, considerados pela ESPN - em lista divulgada no inicio do ano onde Carvajal também está presente - os melhores laterais direitos do mundo.

Marcelo e Carvajal são os laterais com maior participação em gols (assistência e gol) na atual temporada.
Foto: Reprodução/Getty Imagens
Aos 25 anos e consolidado na lateral merengue, Carvajal tem um futuro brilhante pela frente, se considerarmos sua evolução constante, o posto de melhor do mundo na posição só deve se afirmar ainda mais com o tempo. Zidane é quem no momento agradece, pode contar com dois laterais de alto nível, Marcelo e Dani, que ocupam bem seus espaços no campo e sobem ofensivamente como nenhum outro na posição (os números deixam afirmar com sobra).

O destino não poderia ter sido mais certeiro naquele 12 de maio de 2004.
Da cantera merengue para o mundo, a história de Daniel Carvajal Da cantera merengue para o mundo, a história de Daniel Carvajal Publicadas por Marcela Natra em abril 13, 2017 Mais 5