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A mentalidade vencedora que pode levar o Real Madrid à Duodécima

Ramos comemora com Cristiano Ronaldo o gol do gajo contra o Bayern na Alemanha, a virada merengue.
Foto: Reprodução/Getty Imagens
 Tática ganha partida, estratégia também, nos últimos anos vimos diferentes tipos de jogos e o culto ao tiqui-taca da seleção espanhola e do Barcelona, a forte da organização defensiva italiana - que leva a Juve a mais uma semifinal da Liga dos Campeões - e os contra-ataques fatais, como o do Real Madrid de Carlo Ancelotti na La Décima. Fatores que levam um time ao topo podem variar com as adversidades, um rival que saiba estudar essas táticas pode ser capaz de destruir um jogo que se baseia em apenas uma única estratégia, ou se sustenta em situações que se repetem. Mas, e quando o que o time tem de melhor vem de dentro?

A capacidade de ainda tentar quando ninguém mais confia, a força de se entregar até o fim e superar, a paciência de saber lidar com a adversidade e não desistir. Zidane trouxe organização tática ao Real Madrid, tem um jogo bem montado, varia as estratégias quando a equipe precisa, não se esconde atrás de um único jogo, mas não é perfeito, tem diversas falhas e também não é nada disso que levou o time ao topo do Campeonato Espanhol e a segunda semifinal seguida de Champions League na segunda temporada do francês como técnico.

Aconteça o que acontecer, o Real Madrid de Zidane não se entrega nunca. Não podemos afirmar que se trata de amor à camisa, mas é essa mentalidade de acreditar que os trouxe até aqui lutando por títulos. O time merengue não cansou de buscar resultados no último minuto, empatar e virar partidas quando elas pareciam perdidas. Barcelona seria hoje, praticamente, campeão do Espanhol 2016/17 se o time blanco não tivesse buscado todas as vitórias e empates que buscou no último respiro.

Pode parecer a maior balela do mundo aparecer, agora, nas semifinais, dizendo que o Real Madrid tem algo que as outras equipes não tem, e que esse fator não tem a ver com as 11 conquistas anteriores. A tradição pode ser um discurso bem repetido por Zidane, com tal paixão que entrou na mente dos jogadores e fez morada ali. O que se escuta Marcelo, Casemiro, Sergio Ramos, Isco, Cristiano Ronaldo e até mesmo o técnico repetir é que "somos o Real Madrid, não podemos nos entregar", em bom espanhol "nunca darse por vencido".

O elenco comemora o gol da virada marcado por Sergio Ramos nos acréscimos contra o Deportivo La Coruña, 3 a 2.
Foto: Reprodução/Getty Imagens
Sabe aquela frase do Rocky? É, do filme, "não é o quanto você bate, mas o quanto aguenta apanhar e continuar, o quanto pode suportar e seguir em frente. É assim que se ganha", vamos puxar pela memória quantos jogos esse Madrid não sofreu em algum dos tempos? Eu perdi as contas de quantas coletivas ouvi Zidane repetir a máxima "sofremos no primeiro tempo, mas depois a equipe se recuperou", isso não aconteceu uma, duas, três, ou quatro vezes, foram várias, em todas as competições.

É claro que nem sempre isso vai funcionar. A equipe foi eliminada da Copa do Rei, lutando até o último segundo, perdeu as partidas que perdeu lutando até o fim - apenas 5 com Zizou no comando em 77 jogos, o aproveitamento do francês é de 74%. Mas compromisso com a vitória é a maior arma do grupo e o pior pesadelo daqueles que tem que enfrentar um elenco que acredita que pode empatar, virar e vencer, aos 30, 40, ou 44 minutos do segundo tempo.

O que vai acontecer daqui em diante na Champions League não se prevê. Juventus, Mônaco, Atlético e Real Madrid podem e tem total condições de levantar a taça, mas dois deles ficarão pelo caminho. São jogos diferentes com características diferentes. Times defensivos, times ofensivos, catimba e coração. Nas coisas que não se podem ensaiar antes, nas situações onde você não pode controlar, um certo colecionador de orelhudas caminha olhando para mais uma com a certeza de que aconteça o que acontecer, eles não vão parar de acreditar.
A mentalidade vencedora que pode levar o Real Madrid à Duodécima A mentalidade vencedora que pode levar o Real Madrid à Duodécima Publicadas por Marcela Natra em abril 21, 2017 Mais 5