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A aposta por renovações em uma janela atípica

Foto: Real Madrid C.F.
O verão espanhol foi pouco movimentado para o Real Madrid. Com o fechamento da janela de transferências e a chegada de apenas três atletas ao clube (dois retornando de empréstimo e um trazido pela cláusula de recompra), confirmou-se que o time merengue protagonizou seu mercado menos movimentado desde 2003. Paralelo ao pouco interesse em contratações para reforçar o elenco, parece surgir também uma tendência em firmar os atuais jogadores e cultivar a espinha dorsal do grupo para o futuro. 

Desde a temporada 1998/99 o Madrid não tinha um balanço positivo na relação compras/vendas, e há 13 anos - quando trouxe David Beckham - não contratava menos de dois jogadores por temporada. Mesmo com a ameaça de uma punição da Fifa, que inviabilizaria contratações pelas próximas duas temporadas, Florentino Perez não desembolsou nada além dos 30 milhões de euros para resgatar Alvaro Morata. Apesar de se envolver em vários flertes, o clube não se rendeu a caprichos. 

O contraste do mercado atual com esse retrospecto de grandes investimentos simboliza um desvio no modus operandi tradicional do clube, mas o plano de renovações em massa pode ajudar a explicar a escassez de contratações. Com o jornal Marca apontando seis prováveis extensões de contrato no horizonte, a prioridade atual dos merengues parece ser buscar sucesso na estabilidade e consistência. Enquanto isso, novas adições seriam somente pontuais, como no caso de uma venda e necessidade de reposição. 

Entre os atletas com renovações eminentes estariam Cristiano Ronaldo, Gareth Bale, Luka Modric, Toni Kroos, Marco Asensio e Martin Odegaard. Com os dois primeiros, o Real Madrid garantiria não só a permanência de seu principal jogador, mas também de seu provável substituto. Bale já mostrou ter potencial de absorver a liderança do time no futuro, e a transição se faria gradualmente. Renovar os dois garante que seja um processo natural - para ambos, para o time, e para a torcida. 

O meio campo também estaria bem encaminhado com a extensão dos contratos de Modric e Kroos - o do alemão até 2022 ou 2023. Foram duas das contratações mais rentáveis do clube nos últimos anos, e seria difícil imaginar o time merengue abrindo mão de peças fundamentais na engrenagem de seu jogo. Tão ou mais complicado seria encontrar meio-campistas capazes de substituir a dupla à altura.

A contratação de Asensio talvez tenha sido um dos maiores acertos do Madrid tratando-se de jovens promessas, e renová-lo para garantir que a jóia espanhola permaneça vestindo a camisa branca enquanto desenvolve seu potencial é nada menos do que lógico. Outro jovem que pode garantir sua permanência prolongada é Odegaard, de 17 anos. O norueguês pode ter o contrato extendido até 2021, ainda que seu futuro no clube seja incerto e que empréstimos sejam uma realidade enquanto ele amadurece.

Até mesmo as improváveis permanências de James Rodriguez, Isco e Kovacic reforçam o foco do clube na maturação do atual elenco. Procurar o “algo a mais” no próprio grupo, e reforçar a crença de que já possuem um time capaz de competir para alcançar os objetivos traçados. Mesmo quando o rendimento não alcança a expectativa, é mais barato trabalhar com os atletas já adaptados e entrosados no elenco do que apostar em um novo nome no mercado. Esse modelo sustenta também a confiança em Zidane e seu trabalho, uma vez que cabe a ele a responsabilidade de extrair o melhor dos jogadores que já possui. 

Outras duas ondas de renovações garantem grande parte do atual elenco por pelo menos mais três temporadas. Em 2014, Nacho e Varane renovaram até 2020 e Benzema até 2019. Em 2015, foi a vez de extender a permanência Sergio Ramos, Carvajal, Marcelo, Lucas Vázquez até 2020 e de Casemiro até 2021. Além disso, os contratos vigentes de Danilo e Mariano vinculam os jogadores até 2021 e os dois goleiros Keylor Navas e Kiko Casilla têm contrato até 2020. São doze jogadores renovados, sendo a maioria (oito) por mais quatro anos. 

Ademais, existe a não-oficializada renovação de Asneio até 2022, a pendente renovação de Isco e a possibilidade de extender também o contrato de Pepe, que acaba em junho de 2017. 

Para o treinador, existe a convicção de que os jogadores a seu dispor lhe bastam. Para Florentino Perez, o argumento foi suficiente para persuadir. Para os jogadores, a confiança de uma diretoria e comissão técnica que acreditam que o potencial para títulos existe naquele exato grupo. Para nós torcedores, a perspectiva de um Real Madrid um pouco diferente no mercado do futebol, mas cujo encanto já nos é familiar. E se tivermos que ver as mesmas mãos repetidamente levantando troféus, que assim seja.
A aposta por renovações em uma janela atípica A aposta por renovações em uma janela atípica Publicadas por Unknown em setembro 14, 2016 Mais 5