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O que temos para domingo é história


Portugal está na final da Euro 2016. O que até então parecia mais um sonho do que realidade está feito. 90% do caminho percorrido, mesmo que sem grandes atuações - como frisou o gajo na coletiva pós jogo, "é melhor começar mal e terminar bem uma competição" - os lusos estão onde gostariam de estar.

Torcida portuguesa comemora a clássificação para a final.
Foto de Craig Mercer/CameraSport via Getty Images
Para eles faltam 90 minutos, talvez um pouco mais, já que essa Euro gostou de ser decidida nas prorrogações e até nos pênaltis. Quem vai estar do outro lado é favorito. França ou Alemanha são muito mais time, tem elenco, mais opções de quem pode decidir, são os donos da casa e os atuais campeões do mundo, respectivamente. Pela primeira vez na vida, Cristiano Ronaldo chega a uma final sem um peso muito grande em suas costas. É a única esperança de uma seleção que é limitada, joga certinho, tem organização, mas todo mundo sabe que não chega aos pés do time de 2010, não encanta e passa muito longe da que foi vice-campeã da competição em 2004.

Por falar em Euro 2004, lembrei da Grécia. Aquela que classificou em segundo na fase de grupos, venceu um, empatou outro e perdeu pra Rússia. Nas quartas derrotou a França por um golzinho e com organização defensiva chata de ser vencida. Passou pela República Checa na semifinal na prorrogação, de novo porque custava a aceitar levar um gol. A Grécia que não jogava bonito, não tinha estrelas e jogou certinho. Foi considerada zebra, venceu Portugal na final de novo no 1-0 e ficou com o título.

Theodoros Zagorakis, Giorgios Georgiadis e Dimitrios Papadopoulos comemoram o título da Euro com o troféu.
 Foto de Liewig Christian/Corbis via Getty Images.
Aquela Grécia me lembra muito essa Portugal. Com algumas diferenças nas estatísticas, os lusos não perderam nenhum jogo, mas levaram muito mais gols - mais mérito das outras seleções do que demérito seu. Portugal melhorou aos 45 do segundo tempo na competição, não chegou por sorte, fez somente o necessário. Passou como um dos terceiros melhores, segurou a Croácia e venceu na prorrogação, empatou com a Polônia e passou nos pênaltis. Sua primeira vitória maiúscula foi contra um País de Gales empolgado, feliz e orgulhoso de ter chego até ali.

O que eles tem de diferente na mala, atende pelo nome de Cristiano Ronaldo. Está aí faz mais de 13 anos, em 2004 era habilidade e rapidez, hoje é isso e mais chute, cabeçada, posse de bola, controle, toque, arrancada, marcação, capitão e determinação. Ninguém precisa gostar dele para saber que o gajo é completo. Um 100% dele é capaz de desequilibrar qualquer time.

Cristiano comemora com André Gomes e Bruno Alves a clássificação para a final.
Foto de Jean Catuffe/Getty Images
Domingo temos um encontro com o que pode ser um dia histórico para o futebol. A Bola de Ouro, se a FIFA continuar a seguir seu padrão do que conta ou não, já é do camisa 7 - independente do que aconteça no Stade de France.  O que tornará domingo ainda mais espetacular para Ronaldo é a conquista de um título com o seu país - um asterisco imenso que é o fantasma de Lionel Messi na Argentina.

Quem vai ganhar? Não ouso duvidar dos favoritos e aprendi com o tempo que desacreditar do português é pagar caro para ver. Quando a bola rolar, será a forte Alemanha ou França contra uma Portugal que faz somente o necessário. O minuto 0 e o apito final separam Cristiano Ronaldo da glória eterna.
O que temos para domingo é história O que temos para domingo é história Publicadas por Marcela Natra em julho 07, 2016 Mais 5